Quando a Chuva Chegar


 Cadê a minha vez de dizer: “finalmente, minha hora chegou”?


Cadê a luz no fim do túnel?

A porta aberta?

A realização?

A oportunidade que dá certo?

A perspectiva?

A esperança?

O ânimo depois de anos de fracasso?

A determinação para tentar mais uma vez?


Já senti tantas vezes aquele impulso de “agora vai”.

E, ainda assim, falhei — de novo — em tudo o que me propus a fazer.


Tentei outra vez, e depois outra, nem sempre por acreditar, mas para poder dizer: “pelo menos eu tentei”.


E quando o fracasso já é esperado, vêm as mesmas frases de sempre:

“não era para ser”,

“da próxima vez vai dar certo”,

“não era da vontade de Deus”.


Mas eu me recuso a acreditar que fui feita para ser inútil.

Que nasci para falhar em todas as tentativas, em qualquer caminho que eu escolha.


Ainda assim, às vezes penso:

talvez o meu único talento seja o fracasso.


Os anos passam, um depois do outro, e eu continuo no mesmo lugar — parada.

Ao meu redor, paredes que não cedem, que não racham, que não dão passagem.


Tenho medo do amanhã.


Sinto como se estivesse presa em um cubículo sem frestas, sem ar suficiente para planejar qualquer fuga.


E fico pensando que, quando a chuva chegar, não haverá por onde escapar.


Vou me afogar aqui dentro.


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