Folheando uma das revistas que nossas colegas levavam para a escola na tentativa de vender, nos deparamos com um anel que nos agradou. Decidimos encomendar. Eu escolhi o maior número disponível e ela, um número menor. Cheguei à escola e ela disse: "O anel chegou, está dentro do estojo". Fui animada para a sala e, ao experimentá-lo, não serviu. Ela chegou e perguntou: "E aí, deu?". "Nem entrou", eu respondi. Então ela retirou o que estava em seu dedo e disse: "Então, esse é o teu". Tentei não demonstrar chateação e indignação por ela ter usado o meu, porque, obviamente, ela sabia que o dela era o menor e se atreveu a usar o que não era dela.
Talvez seja bobagem, mas hoje eu penso quantas vezes deixei de falar para não incomodar, para não parecer mesquinha, para não desagradar, com medo de não gostarem mais de mim. Mas também reflito quantas vezes agi dessa forma com alguém, sendo sem noção, usando algo que não era meu. Quantas vezes alguém deixou de falar o que sentia para não me desagradar?
Hoje eu quero ser alguém que não esconde o que sente por medo de desagradar e não quero ser alguém com quem os outros achem que não podem falar o que sentem.

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