Este texto faz parte de As Pessoas Que Tentaram Se Amar — uma coleção de narrativas sobre conexões imperfeitas, começos inesperados e finais que nem sempre chegam a tempo.
Me declarei
e ele ouviu outra coisa.
Onde eu disse sentimento,
ele entendeu corpo.
Onde eu me expus,
ele viu disponibilidade.
E o pior não foi isso.
O pior foi eu ter ido.
Ter aceitado a versão errada de mim
só para não perder o pouco que ele parecia oferecer.
Fiquei na porta.
Entre ir embora com dignidade
ou entrar e me perder de vez.
Ele desistiu antes.
Disse que precisava trabalhar.
Eu teria ficado.
Teria ido até o fim
mesmo sabendo que não era amor.
E isso doeu mais do que ele não abrir a porta.
Mas também teve um alívio escondido ali:
ele não me deixou cruzar
o ponto de onde eu não voltaria inteira.

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