Este texto faz parte da coletânea Entre Máscaras, que reúne histórias e reflexões sobre as hipocrisias e contradições de uma mulher ao longo de sua vida. Os textos exploram amor, maternidade, relações sociais, escolhas pessoais e autoengano, sempre com uma perspectiva introspectiva e reflexiva.
Ela deixou as filhas para que os avós moldassem o cotidiano que ela não quis segurar.
E quando, já adulta, uma das filhas a recebe em casa, não há prato posto, nem gesto de acolhimento. O silêncio da mesa fala mais que a ausência de comida.
Ela, então, lança a sentença: um dia a filha aprenderá a valorizá-la.
Fala como quem prevê justiça futura, mas soa como quem exige um tributo que nunca soube oferecer.
Na casa, entre pratos vazios e lembranças herdadas, paira a contradição: a mãe pede o que não deu, cobra o que não semeou.
E o tempo, que a todos ensina, se encarrega de manter aceso o vazio entre elas.

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