Este texto faz parte da coletânea Entre Máscaras, que reúne histórias e reflexões sobre as hipocrisias e contradições de uma mulher ao longo de sua vida. Os textos exploram amor, maternidade, relações sociais, escolhas pessoais e autoengano, sempre com uma perspectiva introspectiva e reflexiva.
Ela o olha, e sente ciúme.
Sente raiva da terceira, da ousadia, da liberdade que ele parece ter.
Mas, no silêncio de si mesma, sabe que nunca teve coragem de ir embora.
Nunca quis ser inteira.
Ama-o? Talvez não.
Ama a ideia de estar com ele, de ser reconhecida por ele, de ocupar um lugar que, no fundo, não é seu.
Ama-se? Não.
Ama-se tão pouco que permite que a própria vida seja preenchida pela ausência de escolhas, pelo medo de si mesma.
A hipocrisia a corrói: condena-o por viver, por buscar, por existir de formas que a ferem.
Enquanto isso, ela permanece, espectro de si mesma, cúmplice da própria prisão.
O rancor é seu único gesto de poder, mas não salva, não transforma, não liberta.
Ela é a sombra do que poderia ter sido. E essa sombra, carregada de silêncio, é tudo o que resta de seu “amor”.

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