Às vezes, a vida nos coloca diante de situações inesperadas que trazem lembranças, perguntas e até mesmo desconforto. Nesta reflexão intitulada “Encontro Inesperado”, compartilho um reencontro com alguém do passado e a estranha sensação de ser cobrada por um afastamento que, na verdade, nunca partiu de mim.
Encontro Inesperado
No meio da muvuca, de repente, vejo um rosto conhecido. Bate aquela nostalgia. Um sorriso meio sem jeito aparece e a voz, super familiar, corta o barulho:
— “E aí! Quanto tempo! Por que você sumiu?”
A pergunta me pega de surpresa, tipo um soco no estômago.
— “Sumi? Eu?”. Minha voz sai meio enrolada. “Como assim, sumi?”.
Mil coisas passam pela minha cabeça. Será que a pessoa tem razão? Será que me perdi em algum momento? Mas aí, uma certeza grita dentro de mim.
— “Como assim, sumi?”. Agora a voz já sai com mais firmeza. “Se meu número é o mesmo há anos, se eu moro na mesma casa desde sempre. Como você tem coragem de dizer que eu sumi?”.
É muito irônico. A pessoa que tá me cobrando é a mesma que vive trocando de número e de endereço, parecendo uma folha ao vento.
— “Sumi? Eu?”. A voz agora soa indignada. “Eu sempre estive aqui, no mesmo lugar, do mesmo jeito. Quem se perdeu foi você, que se afastou e virou uma estranha na sua própria vida”.
O silêncio toma conta. O rosto familiar agora é um mistério total. A nostalgia some e só fica aquela pergunta no ar:
Afinal, quem foi que sumiu?

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